Ano Novo Chinês em Nagoya
Hoje começaram as festividades do ano novo chinês, na cidade de Nagoya.
Serão três dias de festa, com muita música, danças típicas chinesas, dragões e leões por toda a cidade.
É uma festa interessante, um contato direto com a cultura chinesa e suas antigas (e belas) tradições.
Ainda não pude conferir a festa deste ano, então apresento aqui alguns vídeos que fiz da festa do ano passado, 2010.
(os dragões chineses e leões, percorrendo o centro de Nagoya - parque Hisaya, em Sakae)
Que todos tenham um feliz novo ano!
Cortinas do Trem

Às oito horas e cinquenta e oito minutos da manhã do dia 25 de setembro de 2010, região da Grande Nagoia no Japão. Sigo sentado em um velho trem da companhia Meitetsu; Observo os pobres demais que assim como eu estão financiando a sua estadia neste planeta.
Um homem com problemas mentais, popularmente conhecido como louco, parou agora há pouco em pé ligeiramente à minha direita. Precipitou-se em abrir as cortinas sem ao menos respeitar os dois homens sentados logo à frente. Aparenta ter mais ou menos 45 anos, feio de doer, carrega um pequeno jornal de anúncios publicitários. O jornal em suas mãos é um personagem a parte. As páginas são viradas pelo louco como se ele estivesse lendo as maiores notícias nunca divulgadas em todos os tempos. Cobriu a cara com o jornal, emitiu um grunhido, na verdade passou a repetir tal grunhido de minuto em minuto. Vendo a cena toda uma questão paira sobre minha mente; O que ele queria ao abrir as cortinas do trem? Trata-se de uma linha do metrô; Ele quer apenas enxergar uma parede escura? Como seu mundo é? Pobre diabo este.
Sabe-se lá por quais razões seres como ele vem ao mundo; Qual o propósito disto? Existe algum propósito? Um carma talvez; Quem sabe? Algo como um dívida de outra vida, pode ser também. Um espírito ruim tomou seu corpo ao nascer, poderá dizer um crente; Ou analisando sob a ótica científica penso ser que é apenas um acidente de DNA. Talvez.
No Brasil dizem que os loucos são perigosos. Dizem que se tiverem uma faca em mãos podem atacar sem saber o que estão fazendo. Confesso que tenho certo receio. No Japão eles são treinados para conviver em sociedade, pelo menos na maioria dos casos. De fato penso ser o melhor tratamento, mas ainda sim mantenho o meu receio.
Besteira isso, deixa pra lá; Melhor eu cuidar de meu pequeno mundo; Olho minhas mensagens no celular e aguardo a chegada do trem na estação que irei descer. Kamimaezu, não, melhor parar em Fushimi onde irei fazer a conexão que me levará até a estação central de Nagoia. A bela e imponente estação, a tal das torres gêmeas, já as fotografei muitas vezes. Ali perto irei ver uma oportunidade de trabalho, na verdade um bico em uma área que me dá muito prazer, escrever. Vamos ver no que vai dar, estou otimista.
A pobre alma sentou-se ao meu lado, continua soltando os seus grunhidos desconexos e a olhar outros papéis. Tenho pena do pobre. Tenho medo dele; Se bem que tenho muito mais medo da Dilma Rousseff e o que esta guerrilheira irá fazer com o Brasil. Tenho mais medo de andar a pé, de carro, ou seja, lá da forma que for no Brasil. Acho que o único que a nada teme é ele, pois não enxerga nosso mundo escuro. Será?








