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Os brasileiros e a sociedade japonesa

No dia 14 de Dezembro de 2008, o professor universitário Angelo Ishi realizou uma palestra promovida pela HICE de Hamamatsu. O assunto abordado foi sobre a vida dos brasileiros na comunidade japonesa desde o início da imigração. Veja a seguir um pequeno resumo da palestra.

Os Brasileiros e a Sociedade Japonesa " - por Silvio Suzuki

O palestrante Angelo Ishi inicia agradecendo a presença de todos e diz ser esta uma nova tendência na comunidade brasileira, a de que será comum futuramente mais eventos como o em questão.
Convida os presentes que estão praticamente desde o início da imigração ao Japão a complentar o início da palestra, pois a primeira parte tratará do período que compreende fins dos anos 80 e início dos 90 do século passado.

As primeiras explanações procuram situar os presentes sobre as diversas tendências de opinião da própria sociedade japonesa, que apesar de parecer, não atua como bloco único. Citou exemplos de grupos que atuam contra a imigração e permanencia de estrangeiros no arquipélago nipônico e também de outros que promovem um convívio pacifíco, ou seja, procurou desmistificar que todos os japoneses são contra os estrangeiros. Fato que comumente se observa entre os brasileiros residentes no Japão.

Há, então, uma maior necessidade de articulações por parte dos brasileiros e não somente entre si, mas também com todas as camadas da sociedade japonesa.

Com grande apoio de material midiático, Angelo Ishi, traçou um bom panorama do que vem sendo esta imigração. Inicialmente começou com material impresso distribuído aos presentes. Onde podemos observar que, tanto as pessoas quanto formadores de opinião da sociedade nikkey do Brasil, não imaginavam a que ponto chegaria a imigração ao Japão. Comumente assustavam-se com cifras de 10.000 pessoas residindo no Japão, o que nos leva a crer que nunca imagirnariam uma colônia de quase 300.000 pessoas. Talvez uns poucos nikkeys pudessem, à época, supor o tamanho do fenômeno social que viria a ser o movimento dekassegui.

Assim como, talvez, uma parte da comunidade nipônica tenha tido a mesma consciência à época, visto que, o material impresso da midia nikkey sempre foi acompanhado.

Pode-ser-á concluir que o indivíduo imigrado ao Japão não tinha a intensão inicialmente de fixar residência permanente. Tal caráter transitório gerou algumas dificuldades que vieram a posteriori na comunidade brasileira, pois ninguém via a necessidade de várias coisas como: aprendizado da língua local, qualificação, busca de moradia própria (alugada ou não) etc. A grande falta de informação e preparo das comunidades japonesas também foi grande empecilho ao primeiros brasileiros.

O material impresso também inclui cópias de avisos fixados em comércios de grande circulação de brasileiros (material do início dos anos 90). O primeiro trata-se de estabelecimento japonês muito procurado pela familiaridade culinária com o ocidente, tal fato, atraiu muito os primeiros residentes em terras nipônicas.

Nele podemos observar muito do choque cultural ocorrido. Por um lado temos um grande número de brasileiros (andando em grupos de até 20 pessoas), em sua maioria homens sozinhos que desconhecem ainda as formas de entretenimento e lazer do Japão, sendo assim procuram momentos de descontração, das mais variadas, num único ambiente, no caso um restaurante. No outro lado temos os japoneses de tal estabelecimento, um local preparado apenas como restaurante e para piorar, de caráter familiar. Podemos imaginar então as diversas problemáticas ocorridas, como admoestação de garçonetes, brigas, muito barulho (fato mal visto na sociedade japonesa, que seria incomodar ao outro) etc. O segundo também vem a ser um cartaz de restaurante, mas dessa vez de propriedade de um brasileiro, para surpresa, muitos dos problemas se repetiram. O que desmistifica, em partes, a corriqueira tese de que comerciantes japoneses não gostam de brasileiros e outros estrangeiros

Corroborando a tal tese, temos um cartaz de uma agência de viagens que oferecia ,nos idos de 1992, pacotes de viagens aos brasileiros residentes no Japão.

Há um outro cartaz, desta vez, de uma festa brasileira, também de 1992, onde chama a atenção o apoio e a ajuda na organização por parte de órgãos e empresas japonesas.

Dando continuidade, ainda com ajuda de material impresso, houve uma crítica ao sensacionalismo por parte da mídia japonesa, houve e ainda há uma generalização negativa da imagem dos entrangeiros de forma geral em algumas mídias. Por parte de nós, os estrangeiros, caberia não corroborar com isso. Seja seguindo as regras, seja aprendendo a língua e cultura locais e respeitando as leis. Mais uma vez aqui, surge a questão da necessidade de saber a língua japonesa, visto que, ao não lermos a mídia local, nem temos como saber a imagem que a mesma passa de nós para a sociedade japonesa.

A quarta e última mídia impressa apresentada pelo palestrante se trata de letras de músicas composta por diversos brasileiros e reunidas num CD em 1997. Muito interessante a análise das letras, pois nelas podemos ver o retrato de diversas perspectivas pelo qual passaram os brasileiros no início da imigração até cerca de 10 anos atrás. A última letra retrata um cotidiano quase sem perspectiva de futuro, estafante e que se resume muito apenas à fabrica, mostra um brasileiro que quer voltar o quanto antes, caráter puramente transitório. Já a segunda indica um início de convívio social, onde o dekassegui, nos fins de semana, se dirige à locais de grande frequência de outros brasileiros, não ficando apenas no circuito " apartamento-fábrica ". A nona letra mostra um brasileiro que se divide entre dois países, enxerga coisas positivas em ambos.

Aqui parece começar a surgir os primeiros brasileiros a fixar residência no Japão.

Finaliza-se a palestra com os momentos atuais, dentre as diversas ênfases, está a necessidade de se prestar atenção maior a formação dos jovens da comunidade. Há no Japão muitas vagas no nível superior e a tendência é de sobrar vagas num futuro próximo. Isso é interessante sob vários aspectos, o indivíduo com nível superior aqui encontra emprego facilmente (no Brasil nem tanto, o que desanimou muitos brasileiros em relação à importância do nível superior), será um representante bilingue da comunidade (um formador de opinião e uma ponte de diálogo), não executará nenhum trabalho " 3K " (perigoso, sujo e pesado) etc.

Confira aqui as fotos da palestra.

A equipe do PortalNippon parabeniza o palestrante Angelo Ishi pela excelente palestra e pelo trabalho que tem feito na comunidade brasileira e japonesa.


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