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Mogi faz parceria com Toyama e pode dar exemplo ao Brasil

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Cidade faz parceria com Toyama, no Japão, com objetivo de desenvolver projeto de incentivo à reciclagem do lixo, medida essencial para viabilizar usina verde no lugar de aterros sanitários

Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, será contemplada com a mais moderna tecnologia mundial em reciclagem de lixo para incentivar a população a aderir à coleta seletiva, separando os detritos orgânicos dos materiais recicláveis. A medida será “essencial” para viabilizar a operação de uma usina verde na Cidade, projeto em estudo pelo governo do Estado, que eliminará a necessidade dos “arcaicos aterros sanitários”, como avaliou o deputado federal Junji Abe (PSD-SP).

“Mogi pode dar exemplo ao Brasil na gestão sustentável dos resíduos sólidos”, rotulou Junji nesta segunda-feira (09/04/2012), durante a assinatura do  protocolo de intenções entre o Município, a Jica – Agência de Cooperação Internacional do Japão e a cidade-irmã japonesa de Toyama – modelo mundial no setor – para o desenvolvimento do Projeto de Promoção da Reciclagem do Lixo em Mogi das Cruzes. O convênio prevê financiamento de R$ 600 mil, concedido a fundo perdido pela Jica.

O prefeito Marco Bertaiolli (PSD) assinalou que o acordo representa a evolução de um processo iniciado pelo próprio Junji quando governou Mogi das Cruzes, de 2001 a 2008. Ele pontuou que, ao longo de seus dois mandatos na Prefeitura, o atual deputado federal retomou o intercâmbio e o fortalecimento da relação bilateral entre o Município e o Japão, principalmente com suas cidades-irmãs de Toyama e Seki, além de Hamamatsu que terá fraternidade oficializada em convênio.

A implantação da coleta seletiva de lixo na Cidade também foi iniciativa do ex-prefeito, como lembrou Bertaiolli. A parceria com Toyama visa aperfeiçoar o trabalho elevando a quantidade de material reciclado. Atualmente, 70% da área urbana do Município são atendidos pelo recolhimento diferenciado de resíduos, mas apenas 1,6% do lixo produzido acabam reciclados. Em países como o Japão, o índice de reciclagem atinge 30%. “Queremos aprender com os japoneses e avançar neste sentido”, afirmou a secretária municipal do Verde e Meio Ambiente, Maria Inês Soares Costa Neves.

O convênio tem duração prevista até setembro de 2014. Incluirá a capacitação, no Japão, para técnicos mogianos; a definição de metodologias para separação de resíduos domésticos; a elaboração de planejamento de Educação Ambiental, a orientação técnica aos catadores e o estímulo à formação de entidades cadastradas e administrativamente estáveis.

De acordo com Junji, a adesão popular à separação dos resíduos domésticos, associada à competência da coleta seletiva, ao fortalecimento da Educação Ambiental e ao incentivo à formação de organizações “bem azeitadas” de catadores são os pilares para o funcionamento de uma usina verde eficiente. Ele citou a feliz coincidência entre os projetos. De um lado, o convênio para o desenvolvimento da reciclagem. De outro, o planejamento do Estado para instalar em Mogi uma unidade de incineração e transformação em energia do lixo gerado na Cidade e nos municípios vizinhos de Biritiba Mirim, Salesópolis, Guararema e Arujá.

A filosofia de gestão dos resíduos sólidos domiciliares no Japão está calcada no processo denominado 3 R’s – redução, reutilização e reciclagem, como definiu o representante chefe da Jica, Satoshi Murosawa, ao discursar em português. Segundo o responsável pelas Relações Internacionais da Prefeitura de Mogi das Cruzes, André Hiratsuka, o objetivo é absorver todos os conhecimentos para estimular a população a participar.

Junji ressaltou a importância de  fomentar a “cultura do desperdício zero e aproveitamento máximo”. Lembrando que há muito o lixo deixou de ser algo depreciativo, o deputado afirmou que o Brasil tarda em adotar tecnologias limpas na gestão dos resíduos sólidos. “Além de acabar com o problema de falta de espaço para deposição dos rejeitos, elas permitem gerar energia e outros produtos, com a transformação dos detritos. Precisamos acabar com a prática obsoleta de enterrar lixo, em benefício da saúde pública e do meio ambiente”, apregoou.

Quanto à participação da Jica no processo, o deputado enfatizou a importância do fortalecimento dos laços de amizade e cooperação entre Brasil e Japão. Por meio da Agência, disse Junji, o País teve investimentos sem precedentes para iniciativas elogiadas mundialmente como a despoluição do Tietê e da Baía da Guanabara, assim como o impulso à produção siderúrgica na Usiminas que contribuiu com o avanço tecnológico da Siderbras, elevando a qualidade do ferro, aço e derivados, insumos para a indústria nacional.

No setor agrícola, o governo japonês possibilitou, por intermédio da Jica, o desenvolvimento do cerrado brasileiro, que revolucionou a produção nacional, alicerçando o agronegócio brasileiro responsável pelo superávit da balança comercial e reconhecimento internacional do Brasil como o celeiro do mundo. Outro exemplo está em São Joaquim (SC) onde a agência japonesa viabilizou tecnologias para autossuficiência na produção de maçãs. 

Como a cooperação é uma via de mão dupla, observou Junji, o Japão prescinde do Brasil como fornecedor de minérios e de produtos agrícolas como soja, café, algodão, suco de laranja, carne bovina e aves. “Logo, também importará etanol brasileiro para substituir as perigosas usinas nucleares”, completou Junji, bastante cumprimentado na solenidade realizada nas dependências da Prefeitura.

Também participaram do evento, que reuniu mais de uma centena de lideranças da sociedade civil, a coordenadora de projetos da Jica, Kelly Nishikawa, o vice-prefeito José Antonio Cuco Pereira (PSDB), os secretários municipais Nilmar de Cassia Ferreira, de Serviços Urbanos, e Oswaldo Nagao, de Agricultura; e o vereador Pedro Komura (PSDB), representando a Câmara, entre outras autoridades.


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